Três reflexões a propósito<br>de uma luta
Na lista de agências da Caixa Geral de Depósitos que estavam previstas encerrar amanhã, 31, constava a do Faralhão, na freguesia do Sado, concelho de Setúbal.
«Constava», porque a administração da Caixa comprometeu-se a não a encerrar até ao final do ano, numa decisão que resulta da luta da população da freguesia.
Quando se soube que a agência era para fechar, a indignação foi geral. A Caixa é o único banco da localidade e o seu encerramento obrigaria a deslocações a Setúbal ou a Alcácer do Sal, a demasiados quilómetros sem transporte. A Junta de Freguesia, de maioria CDU, convocou uma concentração à porta da agência quase de um dia para o outro, que juntou cerca de mil pessoas. Seguiu-se um abaixo-assinado, que recolheu 2839 assinaturas em poucos dias.
A Comissão de Freguesia do Sado do PCP editou um comunicado e concretizou uma jornada de contacto e agitação junto da população, com a presença de uma das deputadas na AR eleita pelo distrito, poucos dias depois de se ter sabido da intenção de encerramento. Na sessão de Câmara foi aprovada uma moção no mesmo sentido apresentada pelos eleitos da CDU.
No dia em que recebeu o abaixo-assinado, a administração da Caixa comprometeu-se em não encerrar a agência. Para já, até ao final do ano, a ameaça fica afastada, com a certeza de que a população não admitirá o seu encerramento, como ficou patente na acção de rua realizada no sábado passado para festejar esta vitória e reafirmar a determinação na luta.
Este processo, aparentemente simples, comprova teses fundamentais do PCP: que a luta é o caminho para derrotar retrocessos e ataques aos direitos; que a ligação às massas permite ao Partido saber em cada momento o que preocupa os trabalhadores e as populações e traçar a orientação certa para desenvolver a reivindicação e a luta; que confiar na CDU nas próximas autárquicas é o voto certo para garantir nas juntas, nas câmaras e nas assembleias eleitos comprometidos com os interesses dos trabalhadores e do povo.